Foi por entre calorosos aplausos e
animados “olés!” que Maria Manuel Henriques se despediu do Grémio
Artístico Torreense onde, nos últimos 13 anos, construiu uma sólida
classe de danças sevilhanas.
Pais dos alunos, familiares, amigos e direcção do Grémio juntaram-se na
noite de sábado em mais um espectáculo memorável produzido pela
professora “Mané” que, com apenas 31 anos de idade, deixa um marcante
legado na colectividade. Ao ritmo do flamenco abriram-se garrafas de
espumante, brindou-se à alegria e contagiou-se a assistência, que
terminou a noite a dançar com os bailarinos do Grémio.
Para Maria Manuel Henriques “fechou-se um ciclo” de vida com as
exigências profissionais a sobreporem-se às rumbas, aos fandangos,
tangos, pasodobles e bulerias. Para o Grémio começa outra etapa, agora
sem a Mané, mas com um legado de 30 alunos em permanência com idades
entre os cinco e os 40 anos. “Já fomos o dobro mas perdemos um grupo
grande de alunas que foram estudar para a faculdade”, conta Maria
Manuel.
Precisamente o percurso inverso da professora de dança que teve de
esperar pela entrada na universidade, em Lisboa, para dar ritmo à
herança espanhola que traz nos genes. “Recordo-me que no dia em que
entrei na faculdade, fui primeiro inscrever-me numa escola de
sevilhanas e só a seguir fui à universidade.”
Ligada ao Grémio desde menina, onde cantava nos espectáculos de
variedades, Mané depressa aceita, em 1997, o desafio de Leonor Madeira
para ensinar à prata da casa “o que andava a aprender em Lisboa”. A
aluna de Psicologia na capital torna-se em simultâneo uma professora de
dança na cidade-natal, e às alunas da casa começam a juntar-se cada vez
mais torrienses com sangue flamenco.
As turmas crescem, os espectáculos sucedem-se e Maria Manuel Henriques
completa um ciclo pessoal 13 anos depois. No sábado, no espectáculo
“Alegrias Flamencas”, que mostrou com coreografias os diversos ritmos
flamencos, Mané despediu-se do Grémio com um alegre e comovido “olé!” e
o Grémio despediu-se de Mané com um “obrigado”.