Ao fim de 16 jornadas, o Torreense
alcançou finalmente o 1º lugar da classificação geral da série E da 3ª
Divisão Nacional. É o resultado natural, da excelente campanha que o
nosso clube vem realizando. Não fora os infelizes deslizes nas duas
primeiras jornadas e a classificação espelharia ainda mais fielmente a
real valia desta equipa.
Escrevi no início da época que o Torreense só poderia ter como
objectivo a subida. Algumas pessoas não concordaram comigo, mas
continuo a pensar hoje da mesma maneira, não retirando uma vírgula ao
que então escrevi.
Um clube com os pergaminhos do Torreense não pode entender como
“normal” andar por estes escalões inferiores do futebol português. Deve
aspirar a mais. É evidente que nos últimos anos, outros factores se
ergueram e provocaram esta queda que se vinha adivinhando nas últimas
épocas. No entanto, fruto de uma gestão adequada e limadas algumas
arestas menos funcionais no departamento de futebol, os resultados
estão à vista e a esperança está de volta às hostes torrienses, para
bem do clube, da cidade, do concelho e, porque não dizê-lo, do futebol.
É evidente que ainda falta muito campeonato e cautelas e caldos de
galinha nunca fizeram mal a ninguém, em futebol não há impossíveis.
Mesmo assim, penso que só uma tremenda hecatombe poderá afastar o
Torreense dum final feliz.
Quando escrevo estas letras, o clube vem de uma sequência de sete
vitórias consecutivas e desde a terceira jornada que não perde. É de
facto um percurso excelente e se esta tendência se mantiver, iremos com
certeza fazer a festa da subida, assim o espero e desejo.
A próxima jornada será com o Peniche em casa, amanhã, sábado de
Carnaval. É o reeditar de um velho dérbi do Oeste e que vem dos tempos
em que o Torreense ainda disputava o Distrital de Leiria (até 1955, o
nosso clube pertenceu à Associação de Futebol de Leiria). Seria bom que
o Manuel Marques apresentasse uma boa moldura humana, condizente com o
histórico jogo. As pessoas da minha idade ainda se lembram de casas
cheias para assistir a jogos entre estes dois rivais. Seria um bom
pretexto para recordar tempos idos e principalmente mostrar o nosso
incondicional apoio à equipa.
De realçar também a excelente campanha que vêm fazendo as equipas
jovens do Torreense, com especial realce para os juniores e juvenis que
boa conta estão a dar de si nos respectivos campeonatos.
Quero aproveitar a ocasião para lamentar o facto das relações entre o
nosso clube (ou o seu departamento de futebol) e a imprensa,
nomeadamente a Rádio Oeste, não me parecer serem as mais cordiais.
Desconheço os motivos que contribuíram para tal distanciamento, mas
estou em crer que será fruto de algum qualquer mal entendido.
Em todo o caso, é bom que todos entendam que vivemos num Estado de
Direito e que o respeito mútuo é peça fundamental ao bom funcionamento
de todas as partes. O afastamento do clube em relação à imprensa (seja
ela qual for) ou vice-versa, em nada prestigia os intervenientes e faço
aqui um apelo ao bom senso, pois perante uma situação destas, todos sem
excepção, saímos a perder.
Rui Santos