DIRECTOR: Fernando Miguel Silva  |  FUNDADOR: Pe. Joaquim Maria de Sousa Semanal - 05 de Fevereiro 2010
 
 
 
 
 
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ALT – Sociedade de História Natural promove conferência sobre genética e comunicação
Quem foi a Eva original?

De onde viemos e quem somos, são questões que acompanham o Homem desde sempre. E é precisamente saber desde quando existe o Homem a questão que a Ciência teima em resolver. O estudo da genética que permite estabelecer com cada vez maiores certezas a árvore genealógica da humanidade pode ser o caminho para que, dentro de poucas décadas, se chegue à Eva original.

Sim à Eva, porque o ADN feminino “é mais estável e fácil de estudar do que o masculino”, salvaguarda Filipa M. Ribeiro, co-autora do livro “A História Humana Preservada nos Genes. O Património Genético Português”, que os torrienses que se deslocaram, no sábado, ao auditório da Junta da Freguesia de Santa Maria ficaram a conhecer.

“A genética vem contribuir com alguns conceitos importantes na teoria da evolução”, mas ainda subsistem muitos pontos controversos acerca do modo como os primatas evoluíram até ao Homo Sapiens, sublinhou a oradora na conferência a que deu o nome de “Genética, Comunicação e Evolução Humana – Uma história de Amor”.

Filipa Ribeiro deslocou-se a Torres Vedras a convite da ALT – Sociedade de História Natural, não tanto para fornecer respostas científicas, mas para deixar pistas de reflexão sobre a forma como o conhecimento científico tem sido comunicado a não especialistas.

A obra que escreveu em co-autoria com Luísa Pereira, onde é retratado o Património Genético Português é, aliás, “pioneira” não só no tema como no modo em que é transmitido: “É um livro dedicado ao grande público”, sintetizou Bruno Silva, da ALT. É apresentado intencionalmente de forma descodificada e apelativa, aliando os conhecimentos científicos de Luísa Pereira, ao novo modelo de comunicação científica defendido por Filipa Ribeiro.

“O modelo de comunicação mais habitual é o da transferência, em que de um lado há os cientistas, do outro o público e no meio os media que muitas vezes funcionam como cabeças de microfone”, constata a especialista. Os conhecimentos são transmitidos numa base generalista deixando por explicar muitas das lacunas que apresentam, critica.

A Teoria da Evolução de Darwin é um dos exemplos apontados por Filipa Ribeiro. “Há uma série de questões para as quais ainda não há resposta. A teoria não explica o surgimento da vida, os primeiros organismos unicelulares, o código genético, etc”. Filipa Ribeiro considera que “a Teoria de Darwin, em conjunto com outras teorias da ciência, constituíram uma espécie de cobertor da razão que tem dominado o pensamento ocidental nos últimos 150 anos”. A ciência “foi elevada a um nível puramente materialista que nos tem dominado de tal forma que nos faz ignorar todos os buracos que estão por tapar”.

Daí, defende a oradora, “a mudança de paradigma da história da ciência só se consegue quando as descobertas científicas são comunicadas de forma eficaz para o público”, através de uma comunicação “mais articulada que consiga transformar entidades em valores, que não se limite à explicação operacional das coisas, que nos suscite emoções e permita a construção de um conhecimento e progresso intelectual”.


Autor: Inês Costa Data: 2010-02-05

 
     

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