A ministra da Educação, Isabel Alçada, no passado dia 23 de Julho,
considerou que o reordenamento da rede escolar, com o encerramento de
701 escolas do primeiro ciclo, com menos de 21 alunos, vai “melhorar
muito” a oferta educativa.
Sobre a diferença entre a primeira estimativa do Governo de
encerramento de 500 escolas e a decisão final de encerrar 701, a
ministra explicou que “as propostas foram das próprias autarquias”.
Segundo um protocolo assinado entre o Governo e a Associação Nacional
de Municípios Portugueses (ANPM), o fecho das escolas só podia
acontecer desde que fosse assegurada a deslocação dos alunos num tempo
adequado.
Dos 701 estabelecimentos de ensino a encerrar, 384 (54,7 por cento)
situam-se na área administrativa da Direcção Regional de Educação (DRE)
do Norte, 155 na DRE do Centro, 119 na zona de Lisboa e Vale do Tejo,
32 no Alentejo e 11 no Algarve.
A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, através de João Dias
da Silva, criticou, a 19 de Agosto, a forma como o Governo conduziu o
processo de encerramento das escolas: “esta situação de instabilidade
vai marcar negativamente o início do ano lectivo, devido à forma como
foi conduzido. Este desrespeito significa uma situação nova, que
provoca mal-estar e que poderia ter sido evitado”.
Uma opinião partilhada pela ANMP que à Lusa revelou que o Governo
ignorou a discordância de algumas autarquias quanto ao encerramento das
escolas: “Acreditamos que o processo não será resolvido de forma
pacífica (…). Vamos reagir a esta situação, que poderá criar alguma
perturbação no início do ano letivo”, avisou o presidente da Comissão
de Educação da ANMP, António José Ganhão, informando de que “sabemos
que alguns municípios discordaram da decisão, fundamentaram-na e o
ministério da Educação manteve a sua decisão”, declarou António José
Ganhão, considerando tratar-se de uma “situação preocupante”.
Encerram 36 escolas básicas no Oeste
Na lista apresentada pela Direcção Regional de Educação de Lisboa e
Vale do Tejo (DRELVT) são apresentadas 36 Escolas Básicas que encerram
em 10 dos 12 municípios do Oeste. A excepção são os concelhos do
Bombarral e da Nazaré.
Segundo Joana Patuleia, vereadora da educação da câmara do Bombarral, o
concelho obteve “uma autorização excepcional de funcionamento visto que
ainda não se encontram construídos os Centros Educativos, conforme
previsto na Carta Educativa”. A mesma prerrogativa teve o município da
Nazaré uma vez que estão em curso as construções dos Centros Escolares
da Nazaré e Valado dos Frades. O contraponto dos municípios anteriores
são os concelhos das Caldas da Rainha e de Óbidos que em conjunto
encerram 18 escolas.
Nas Caldas da Rainha encerram 10 escolas. Cinco dessas tinham 10, ou
menos, alunos que serão transferidos para outros estabelecimentos de
ensino com condições melhores, ou, pelo menos, idênticas. As restantes
pertencem à freguesia de Alvorninha e correspondem a uma transferência
para o novo Centro Escolar construído na freguesia, conforme previsto
na Carta Educativa. Àquele município a tutela propôs ainda o
encerramento de outras quatro escolas que têm entre 11 e 20 alunos, no
entanto a autarquia manifestou a sua oposição e os argumentos tiveram
acolhimento, pelo que essas escolas continuarão a funcionar.
No município de Óbidos vão encerrar oito escolas e os alunos serão
transferidos para dois novos Complexos Escolares são eles o do
Furadouro e do Alvito. Estes novos estabelecimentos de ensino juntam-se
ao Complexo Escolar dos Arcos (em funcionamento desde Setembro de 2008)
e a Escola Sede (EB 2,3/S Josefa de Óbidos), para assegurar todo o
ensino básico, secundário e profissional do concelho. “Estamos também a
desenvolver uma profunda requalificação dos estabelecimentos de
educação pré-escolar, tendo-se iniciado a última fase. Abriu, em
Janeiro, o de Gaeiras, completamente renovado, e estão em curso os de
Usseira, Óbidos e Vau, que vai ainda começar até ao final do ano”,
informou o gabinete de comunicação da autarquia.
Já nos concelhos de Arruda dos Vinhos, Lourinhã e Peniche é encerrada
uma escola em cada. No primeiro município os alunos da escola de
Cardosas serão integrados num centro escolar na freguesia de Arruda dos
Vinhos, a cerca de quatro quilómetros da escola encerrada. No caso de
Peniche as crianças vão ser transferidas para uma escola com capacidade
de alojamento e futuramente, de acordo com o previsto em Carta
Educativa, os alunos serão transferidos para o Centro Educativo de
Atouguia da Baleia, quando este estiver em funcionamento. Mas este
encerramento resultou da negociação entre a autarquia de Peniche e a
tutela, já que a DRELVT propôs o encerramento de quatro
estabelecimentos de ensino básico, todos com menos de 20 alunos.
Na Lourinhã foi efectuado um pedido de suspensão da denominação Escola
Básica de Ribamar, já que os alunos são integrados na Escola Integrada
de Ribamar que contempla a educação pré-escolar e todo o ensino básico.
“Existindo por isso uma mudança de instalações para um espaço mais
ajustado às reais necessidades de educação e ensino das crianças desta
localidade”, explica o vereador da Educação, José Tomé.
No Sobral de Monte Agraço, na realidade, neste ano lectivo encerra a
escola de Fetais, que tem menos de 10 alunos que vão ser transferidos
para escola básica com jardim-de-infância da sede de concelho. A escola
dos Casais de Santo Quintino já havia sido encerrada no ano lectivo
anterior. Já em Torres Vedras encerraram duas escolas: a de Carregueira
(sete alunos) e a de Ermegeira (11), conforme já foi publicado neste
semanário em edições anteriores.
No Cadaval tanto a escola de Martim Joanes como a de Ventosa tinham
sete alunos cada. Os meninos da primeira vão para a escola de Pêro
Moniz e os da segunda para o Centro Escolar do Vilar, que vai começar a
funcionar no início do ano lectivo. Por no Vilar ter nascido esse
complexo escolar, aparece na listagem da DRELVT designado o
encerramento da escola básica dessa localidade. Em Alenquer a escola da
Aldeia Galega tinha cinco alunos e as escolas de Eiras e Pipa três
alunos cada. A autarquia apenas informou o Badaladas de que “os alunos
irão para escolas com condições de acolhimento”.
Por fim, em Alcobaça encerram cinco escolas que em média tinham cerca
de nove alunos cada. Os estabelecimentos de ensino de acolhimento serão
escolas a manter, não estando previsto o fecho ou posterior
transferência para nenhum centro escolar, à excepção da escola de Casal
Ramos, que tem previsto acolher o Centro Escolar da Cela. As escolas
básicas de Carris, Carvalhal de Aljubarrota, Póvoa e Vimeiro serão para
manter, conforme consta da Carta Educativa, informou a vereadora da
Educação, Mónica Baptista.