A Câmara Municipal de Torres Vedras comprou por 200 mil euros uma parte da conhecida loja de enxovais Casa Primavera.
A proposta surgiu inicialmente há cerca de um ano e partiu do próprio
empresário e proprietário do espaço, Joaquim José Vidal Severino.
A ideia materializou-se com o executivo a aprovar por unanimidade a
compra de 200 metros quadrados da loja no passado dia 31 de Agosto,
durante a reunião de Câmara. Cerca de 60 mil euros serão pagos ao
proprietário em Outubro e o restante montante em Maio de 2011. A loja
fecha portas a 28 de Fevereiro.
Carlos Miguel considera a aquisição “uma mais-valia” e diz que a verba
negociada satisfaz tanto o vendedor como o comprador e está dentro dos
parâmetros para um espaço no centro histórico.
A autarquia fica assim com parte da loja, contígua ao edifício dos
Paços do Concelho, para onde pretende deslocar os serviços de Apoio à
Juventude, que funcionam actualmente num prédio alugado na praceta
padre Joaquim Maria de Sousa, a par com os serviços de Apoio à
Toxicodependência.
Joaquim José Severino disse ao Badaladas que “a firma está em
dificuldades”, daí ter equacionado a venda de parte do espaço. “Ficamos
com 700 m2 e ainda temos umas boas instalações”, sublinha o empresário.
Com as portas abertas há 65 anos, a Casa Primavera chegou a ter em
tempos 25 funcionários. Actualmente são 12. Vidal Severino diz que as
dificuldades se prendem unicamente com a crise económica que se vive no
país e com os “ataques isolados ao comércio, como as lojas dos chineses
que vão aparecendo”.
Mas o principal factor “é o desaparecimento do intermediário”. E
exemplifica: “eu vendia as lonas para as barracas das praias todas por
aí abaixo, agora só há um fabricante e entrou em relação directa com os
homens das barracas e vende tudo directo”.
Para tentar combater a tendência, há cerca de dois anos que a loja
estabeleceu acordos com instituições e empresas com a atribuição de
descontos especiais. “Esse é o futuro da casa, até podemos deixar de
vender um ou outro artigo, mas vamos para a frente“, garante o
empresário, que é empregado ofical da Casa Primavera há 58 anos, mas no
dia em que a loja inaugurou já vendia atrás do balcão, apoiado num
caixote que lhe conferia a altura que lhe faltava aos seus oito anos de
idade.