“Só recorremos à mão-de-obra estrangeira porque mão-de-obra nacional não há”, disse Lino Santos, da Primores do Oeste SA, ao Badaladas. Segundo o administrador quando solicita pessoas ao Centro de Emprego é usual enviarem 40 a 50 pessoas para entrevista. Dessas “vêm três ou quatro e ninguém pega ao serviço”.
“Este ano houve
uma pessoa que começou a trabalhar, mas passada uma hora foi embora e
não aceitou o posto de trabalho”.
Outra situação que é uma constante na empresa é “aparecerem aqui
pessoas a pedir para assinar o papel do Centro de Emprego em como aqui
pediram emprego. Dei ordens para saber se esses indivíduos têm
características para trabalhar aqui e para entrarem ao serviço, se se
perfilarem para o trabalho. Mas as pessoas voltam as costas e vão-se
embora”, afirma Lino Santos.
A Primores do Oeste tem cerca de 350 colaboradores, desses 200 são
estrangeiros a trabalhar na apanha dos hortícolas, embalamento,
etiquetagem, etc. Este ano a mão-de-obra exterior centra-se
maioritariamente em tailandeses (86 pessoas), romenos e brasileiros.
Mas Lino Santos confessa que solicitou a contratação de mais
tailandeses no início da época (de Março a Novembro), mas devido a
problemas e restrições não lhe foi possível contratar mais
trabalhadores daquele país. “Trabalho com mão-de-obra estrangeira há 10
anos. Agora deu mais nas vistas porque nesta área geográfica a produção
hortícola cresceu e para o ano essa área duplicara”, esclarece o
administrador.
Lino Santos tem consciência de que há quem o critique por contratar
estrangeiros para fazerem o trabalho das empresas que gere, mas afirma
que “se estamos a importar mão-de-obra estrangeira, estamos a produzir
mais para o produto nacional e a apoiar outras empresas portuguesas.
Não sai daqui outro produto que não seja nacional. Em tempos importei
materiais complementares ao meu produto em cerca de 80 por cento, hoje,
porque a mão-de-obra é estrangeira, só importo cerca de 20 por cento”.
O material a que se refere são as caixas de papel utilizadas, paletes,
etiquetas, entre outros.
O administrador da Primores do Oeste é peremptório quando diz que há
muita burocracia na contratação de mão-de-obra exterior: “o Governo tem
as directrizes definidas, mas depois as pessoas não vêm ao terreno e
pensam que a mão-de-obra estrangeira que cá está vem roubar trabalho
aos nacionais. Isso é pura mentira. A mão-de-obra estrangeira está a
contribuir para que os portugueses tenham emprego. Porque os nacionais
não querem fazer nada. Se eu não tivesse estes trabalhadores
estrangeiros, os 150 colaboradores que aqui tenho, que são
essencialmente técnicos, não teriam emprego”, justifica. “Os
portugueses têm de ter consciência que têm de comer ao mesmo preço que
no resto da Europa. Isso acontece se o país produzir e se manter a ele
próprio. Se a nossa gente não quer produzir, tem de vir do estrangeiro,
o que encarece os produtos e não há nada que impeça a importação. Mas
critica-se muito isso. A verdade é que se produzirmos não temos que
importar. E só se importa quando não temos cá”, salienta Lino Santos.
Neste momento na Primores do Oeste 50 por cento da produção é para o
mercado nacional, os produtos restantes são para o estrangeiro, mas há
fases do ano em que 80 por cento é exportado porque o mercado nacional
não consome o produzido.