DIRECTOR: Fernando Miguel Silva  |  FUNDADOR: Pe. Joaquim Maria de Sousa Semanal - 10 de Setembro 2010
 
 
 
 
 
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Cerca de um milhar de pessoas participaram na Missa exequial de Dom Tomaz da Silva Nunes
A vida é um “choque com a eternidade, violento, surpreendente e inesperado”

A vida é um “choque com a eternidade, violento, surpreendente e inesperado”
Cerca de mil pessoas participaram no passado dia 2 na Missa de exéquias de Dom Tomaz da Silva Nunes, que se realizou na igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa. Entre os participantes na Eucaristia, presidida pelo cardeal-patriarca Dom José da Cruz Policarpo, estiveram cerca de 15 bispos, mais de 200 padres e 15 diáconos, além de membros de congregações religiosas e leigos. Na homilia, o purpurado lembrou o momento em que, há 12 anos, impôs as mãos sobre Dom Tomaz para o ordenar bispo.

Nesse dia, disse Dom José, “estivemos nesta igreja, com tantos ou mais bispos do que hoje, com o clero de Lisboa cheio de alegria”. Logo a seguir, “o senhor Dom Tomaz foi daqui para o hospital, para fazer uma intervenção cirúrgica que o médico não queria atrasar nem 24 horas. E o Senhor d
eu-lhe ainda estes anos de saúde e de jovialidade ao serviço da Igreja”.

O cardeal evocou o momento em que se deparou com a morte do bispo auxiliar e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã. “Ontem, quando entrei no quarto do senhor Dom Tomaz e vi o seu corpo sem vida, não senti que a vida é um choque com o futuro, mas senti muito profundamente que é um choque com a eternidade, violento, surpreendente e inesperado”, disse o prelado. “Jesus – prosseguiu – tinha-nos avisado. Mas nós esquecemos com tanta facilidade esse aviso tantas vezes repetido: “Virei quando menos se espera”.”

Para Dom José Policarpo, “a morte é, sob o ponto de vista humano, a mais radical experiência de solidão, mesmo que os outros estejam à nossa volta, e só Deus a pode vencer”. “O senhor Dom Tomaz morreu sozinho e nós estávamos lá, perto dele. Mas ele não pôde sentir o calor da nossa amizade naquele momento difícil”, lembrou o  patriarca.

Referindo-se à experiência da morte e à sua relação com a vida,
Dom José sublinhou que o “choque com a eternidade será libertador se o experimentarmos permanentemente com Jesus ressuscitado”. “Jesus Cristo, na sua Páscoa, surge como essa experiência fundamental de humanidade que encerra a sua única verdadeira esperança, que é mitigar esse choque com a eternidade e fazer dele um encontro jubiloso”, referiu. “A experiência ao longo dos séculos deixa-nos clareiras de esperança para acreditarmos que esse é um momento de grande júbilo”, afirmou o purpurado, que no entanto advertiu: “Ai daqueles que nesse momento derradeiro negam o encontro com Deus.”

Sobre a urna fechada de Dom Tomaz da Silva Nunes foi deposta a sua mitra e um evangeliário (livro com textos bíblicos do Evangelho proclamados nas missas), aberto ao centro.

Dom Tomaz faleceu durante a madrugada do dia 1 deste mês devido a um enfarte agudo do miocárdio, segundo apurou a agência Ecclesia junto do Patriarcado de Lisboa. Após a celebração das exéquias, a urna saiu da igreja em silêncio, mas uma salva de palmas irrompeu quando o corpo do bispo foi depositado no carro funerário. O cortejo exequial seguiu depois para o cemitério do alto de São João, escoltado pela Polícia de Segurança Pública. Os ritos que antecederam o sepultamento no jazigo do Patriarcado, presididos por Dom Joaquim Mendes, também bispo auxiliar de Lisboa, contaram com a presença de uma centena de pessoas.


Rui Maritns
Autor: Colaborador Data: 2010-09-10

 
     

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